Terça-feira, 08.02.11

O carregador único para telemóveis está a chegar à Europa

08.02.2011 - 14:50 Por Susana Almeida Ribeiro, in Público Tecnologia

Já aconteceu a toda a gente: estamos no escritório, o telemóvel apita continuamente avisando que a bateria precisa de ser recarregada, e não há ninguém que nos valha. Cada marca (e, muitas vezes, diferentes modelos da mesma marca) de telemóveis usa o seu próprio carregador. Soube-se hoje, porém, que estes dias de incompatibilidade estão para acabar.

O carregador único, mostrado na cerimónia desta terça-feira (Francois Lenoir/Reuters)

Há vários anos que a Comissão Europeia tem vindo a defender a ideia simples de um carregador comum compatível com telemóveis de todas as marcas. Finalmente isso está prestes a transformar-se em realidade, graças a um acordo de cooperação selado entre 14 fabricantes mundiais de telemóveis e a Comissão.

De acordo com um comunicado divulgado pela Comissão Europeia, o vice-presidente da Comissão, Antonio Tajani, recebeu hoje das mãos de Bridget Cosgrave, directora-geral da DIGITALEUROPE - a maior associação europeia de tecnologia digital - um exemplar de um carregador universal compatível para telemóveis.
A incompatibilidade dos carregadores de telemóveis não apenas provoca inconveniências para os utilizadores, como constitui, na União Europeia, uma importante questão do ponto de vista ambiental. Os utilizadores que pretendem substituir os seus telemóveis vêem-se, muitas vezes, obrigados a comprar novo carregador, independentemente do estado em que se encontra aquele que já têm.
“Congratulo-me com a apresentação do novo carregador de telemóveis com base na norma da UE, pelo que representa em termos de diminuição de custos. São boas notícias para os consumidores europeus que hoje anunciamos. Aguardamos agora que o novo carregador e os telemóveis compatíveis cheguem às lojas. Insto aqui a indústria a acelerar a sua introdução no mercado, de modo a que os cidadãos de toda a UE possam tirar partido do carregador universal o mais rapidamente possível”, afirmou Antonio Tajani, Vice-Presidente da Comissão e comissário responsável pela Indústria e pelo Empreendedorismo.
No comunicado da Comissão fica igualmente a saber-se que a UE trabalhará com a indústria de modo a que os consumidores europeus possam tirar proveito desta iniciativa “o mais rapidamente possível”. O mais provável é que isto venha a acontecer ainda este ano.
Os 14 fabricantes de telemóveis (Apple, Emblaze Mobile, Huawei Technologies, LGE, Motorola Mobility, NEC, Nokia, Qualcomm, Research In Motion - RIM, Samsung, Sony Ericsson, TCT Mobile - ALCATEL mobile phones, Texas Instruments e Atmel) podem agora avançar com o desenho pretendido e testar as alterações aos carregadores. A solução comum encontrada assente na tecnologia micro-USB. Para os telemóveis que não dispõem de uma interface micro-USB, o memorando de entendimento prevê um adaptador, indica ainda o comunicado da Comissão. O acordo abrange igualmente smartphones.
A campanha europeia está disponível no site One Charger For All.

Terça-feira, 23.11.10

Equipamentos em standby gastam 11% do consumo médio por habitação

De acordo com as edições on-line do Jornal de Notícias e do i de hoje ao início da noite, «Um estudo efetuado na União Europeia (UE) revela que o consumo médio de eletricidade dos equipamentos elétricos e eletrónicos em standby "representa cerca de 11 por cento do total" da energia anualmente consumida por habitação.

Os resultados da mesma investigação, envolvendo 12 países, entre os quais Portugal, onde é liderada pelo Instituto de Sistemas e Robóticas (ISR) da Universidade de Coimbra, foram hoje divulgados nesta cidade.

A manutenção em standby (modo de espera ou suspensão) ou mesmo desligado (off-mode) de alguns equipamentos (apesar de estarem desligados no botão, continuam a consumir energia) significa um gasto "médio anual de 305 quilowatts/hora" por habitação, de acordo com o estudo, revelou Aníbal Traça de Almeida.

O investigador do ISR e coordenador do estudo falava hoje à tarde, em Coimbra, no auditório da EDP, na apresentação das conclusões da investigação, que, iniciada em 2008 e denominada SELINA (Standby and Off-Mode Energy Losses In New Appliancesa Measure in Shops), contou com o apoio da Agência da Comissão Europeia para a Competitividade e Inovação.

Em Portugal, no entanto, as perdas médias de eletricidade com os modos standby e off-mode são da "ordem dos 7 %", contra os referidos 11 % das habitações europeias, disse à agência Lusa, à margem da sessão, Aníbal Traça de Almeida.

Tal circunstância não se deve, porém, ao comportamento dos consumidores, mas antes ao facto de os equipamentos elétricos e, sobretudo, eletrónicos estarem menos generalizados em Portugal do que noutros países da Europa, sublinhou.

Entre outros resultados, o estudo - que envolveu mais de 9000 inquiridos, incluindo lojistas, e 1300 habitações, e implicou a medição de mais de 6000 equipamentos - concluiu que "as consolas de jogos consomem quase tanta eletricidade em standby como quando se está a jogar".

Também as máquinas de café "podem causar grandes perdas de energia em standby" ou "mesmo desligadas" no botão, exemplificou, durante a sessão, Traça de Almeida, referindo que essas perdas podem representar uma média anual de 60 kwh, que significam, no nosso país, 9,6 €.

Equipamentos como subwoofer, gravadores de disco rígido, modems, routers ou gravadores de DVD podem, em standby ou off-mode, gastar, por ano, entre 4 e 7 kwh, que equivalem, em Portugal, a valores que oscilam entre os cinco e os oito euros.

"Em toda a UE pode ser poupado cerca de um bilião de euros", bastando apenas desligar a Internet quando não está a ser usada, afirma o investigador do ISR, sublinhando que este consumo equivale a 3,5 milhões de toneladas de CO2.

No âmbito do estudo, que abrangeu Portugal, Alemanha, França, Dinamarca, Letónia, Roménia, República Checa, Bélgica, Inglaterra, Áustria, Grécia e Itália, foi editado um "guia do consumidor em consumos standby", com algumas conclusões da investigação e no qual são adiantados procedimentos para o consumidor não "desperdiçar a sua eletricidade".»

Don't stantby!

E que tal ajudar a poupar o planeta - e a sua conta bancária - desligando os stanby's e off-modes aí de casa?

Quinta-feira, 17.12.09

Eventos

Ontem à noite houve, como previsto, a entrega dos Diplomas aos vencedores do Concurso de Fotografias «o Sol». 

Não estivemos lá. Percebemos (tarde demais) de que, afinal, este não era o momento nem mais adequado nem mais oportuno para o efeito: o texto elaborado para introduzir a entrega dos prémios foi redigido por quem nem conhece nem alguma vez participou nas actividades do P3E's, pois o que havíamos escrito era longo e quebrava o ritmo do espectáculo; a ideia de tornar a juntar todos os membros do grupo de trabalho do ano passado foi gorada pois alguns tinham compromissos familiares ou pessoais que os impedia de estar presentes; e, the last but not the least, pelas 20h15 e após 11 horas de trabalho lectivo, vimo-nos sozinhos à porta da Escola, sem jantar e debaixo de uma chuva diluviana.

Não houve alternativa.


Em contraponto, as palestras sobre racionalização energética seguidas de trocas de lâmpadas que tiveram lugar anteontem, dia 15, foram o que se pode considerar um verdadeiro sucesso - quer as duas que decorreram à hora do almoço quer, sobretudo, a que decorreu ao final da tarde. Nas três, a Sala de Vídeo da Escola praticamente que se encheu de alunos de todos os ciclos e anos, professores, auxiliares de acção educativa, pais, encarregados de educação...

Paletra da DECO sobre Eficiência Energética, 15 de Dezembro de 2009

Proferidas por João Vicente, um dos colaboradores das Brigadas do Carbono da DECO, que incidiu nos tais pequenos gestos que podem fazer a diferença: o carregador do telemóvel sempre ligado à tomada, o televisor desligado pelo comando, as luzes [ou a televisão!] ligadas em quartos vazios, o abre-e-fecha do frigorífico... assim, como, obviamente, a poupança que se poderá obter pela troca de lâmpadas de incandescência - onde apenas 15 % é convertido em luz; o resto é desperdiçado em calor - por lâmpadas energeticamente eficientes - as fluorescentes PL's e os LED's.Lâpada de LED's

Se as últimas ainda estão em fase de evolução tecnológica e possuem preços muito elevados, as fluorescentes PL's já são perfeitamente comuns. E é deste tipo de lâmpada que, após cada palestra e a cada portador de uma lâmpada de incandescência, os membros do P3E's presentes, apoiados pelos alunos da turma F do 8.º ano, forneciam um saquinho plástico onde estavam 4 lâmpadas de fluorescentes PL's de 11 W bem como diversa informação sobre as formas de poupar energia em casa - e no país.

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Sábado, 12.12.09

Negócio verde

Estudo publicado ontem pelo Fundo Mundial para a Natureza

Tecnologias verdes podem ser terceira maior indústria mundial em 2020

12.12.2009 - 10:18 Por Lusa

Em 2007, as vendas tecnológicas limpas, com baixo índice de combustíveis fósseis, como a solar, a eólica e a biomassa, atingiram 630 mil milhões de euros

O relatório prevê que daqui até 2020, a indústria (verde) vai render 1600 mil milhões de euros por ano, tornando-se o terceiro sector industrial, atrás do automóvel e da electrónica, explica o Fundo, em comunicado.

Em 2007 as vendas tecnológicas limpas, com baixo índice de combustíveis fósseis, como a solar, a éolica e a biomassa, atingiram 630 mil milhões de euros, à frente da indústria farmacêutica.

O estudo, intitulado “Economia limpa, planeta vivo - construir indústrias de tecnologias limpas”, prevê um aumento de energias renováveis a um ritmo de 15 % ao ano. No entanto, o Fundo Mundial para a Natureza acredita que um acordo na Cimeira sobre o Clima, que está a decorrer em Copenhaga, possa aumentar estes valores. 

“Imaginem o que seria possível com um acordo sobre o clima em Copenhaga e os mecanismos nacionais para o pôr em andamento?”, afirmou Kim Carstensen, responsável pelo Fundo, citado no comunicado.

A Alemanha, os Estados Unidos da América e o Japão lideram actualmente a venda de tecnologias verdes, segundo dados do Fundo. A China, que está na quarta posição da lista, deverá “aumentar rapidamente as suas quotas de mercado” nos próximos anos, explica este estudo, o primeiro do género a nível mundial. 

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Nota: foram feitas algumas correcções ao texto original do Público, que trazia diversos erros, pouco admissíveis num jornal de referência. 

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Quinta-feira, 03.12.09

Lâmpadas economizadoras

Como informado em postagem anterior, no próximo dia 15 de Dezembro haverá na Escola Sessões de Sensibilização para a Racionalização do Consumo Energético, às quais se seguirá a troca de lâmpadas de incandescência por lâmpadas economizadoras (fluorescentes compactas ou PL): uma lâmpada "velha" vale quatro "novas"!

Mas se para muitos elas já fazem parte do seu dia-a-dia, para muitos outros ainda há muitas dúvidas relativamente a este tipo de lâmpada e à sua utilização:

    - se são mais caras, por quê usá-las? 

    - muitas delas têm uma cor de luz "que magoa os olhos";

    - são maiores e não cabem nos candeeiros existentes;

    - mas afinal quais são as diferenças entres elas e as lâmpadas comuns?

    - não posso continuar as lâmpadas que até aqui tenho vindo a usar?

    - etc., etc. 

Muitas destas dúvidas - e muitas outras aqui não descritas - podem facilmente ser dissipadas com uma rápida consulta a alguns dos sites seguintes:

    - OSRAM: Lâmpadas economizadoras de energia;

    - DECO: Lâmpadas economizadoras: poupe 9 euros por ano;

    - Portal do Ambiente e do Cidadão da Maia:

        = Gasto no arranque inicial da lâmpada;

        = Onde depositar as lâmpadas economizadoras quando já não as podemos utilizar? (A este respeito consultar também o site da Amb3E e ver o vídeo da Euronews "reciclagem de lâmpadas").

Em última análise, cá estará o P3E's disposto a ajudar e a esclarecer as dúvidas. Escrevam-nos!

Terça-feira, 01.12.09

Sessão de sensibilização à Eficiência Energética com troca de lâmpadas

O Ministério da Economia e Inovação e o Ministério da Educação, com o apoio do Fundo de Apoio à Inovação e da EDP estão a promover uma acção nacional de distribuição gratuita de lâmpadas eficientes.  

Esta acção insere-se no Plano Nacional de Acção para a Eficiência Energética e promove a substituição de lâmpadas incandescentes por lâmpadas economizadoras.

Esta campanha de Troca de Lâmpadas dirige-se às comunidades educativas das escolas básicas dos 2.º e 3.º ciclos, pelo que a nossa Escola, sob a orientação do Projecto 3E's e, mais uma vez, com a colaboração coas a Brigadas do Carbono da DECO - Defesa do Consumidor, organizará no próximo dia 15 de Dezembro, às 12h30, às 13h45 e às 18h30, sessões de sensibilização para a eficiência energética, no final das quais por cada lâmpada de incandescência (uma por pessoa) será trocada por 4 lâmpadas economizadoras de energia de 11W.

 

Não se esqueça de comparecer! Só terá a ganhar. E o meio-ambiente também!

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Sexta-feira, 20.11.09

Será que também funciona em Paços de Ferreira? :-P

Ciclistas de São Francisco sugerem, via iPhone, rede de ciclovias
2009/11/20

A San Francisco Country Transportation Authority (SFCTA) está a lançar uma aplicação no iPhone, chamada CycleTracks, que permite aos seus utilizadores informar os responsáveis pelo departamento de transportes da cidade de quais as melhores rotas para andar de bicicleta. Esta informação, segundo o San Francisco Weekly Blog, será compilada e destina-se a ajudar a desenhar a nova rede de ciclovias da cidade californiana.

SFCTA CycleTracks para iPhonesEsta espécie de planeamento de ciclovias por crowdsourcing estará à disposição não apenas dos utilizadores de bicicletas, mas também calculará as melhores rotas para andar a pé – o que aumenta bastante a sua utilidade para os cidadãos de São Francisco.

A aplicação pretende também recolher dados objectivos sobre os melhores caminhos para ciclar em São Francisco – comparando “estórias” de utilizadores e residentes de zonas específicas da cidade.

Assim, o CycleTracks utiliza o GPS do iPhone para gravar as viagens de bicicleta (ou a pé), desenhar mapas da rota – e reenviar a informação aos planeadores de ciclovias da cidade.

Desta forma, espera a SFCTA, os serviços da cidade poderão compreender melhor as necessidades dos utilizadores de bicicletas. Ainda que, torna claro a SFTA, não existem certezas que os caminhos mais populares sejam tornados oficiais.

Pode fazer o download da aplicação, gratuitamente, aqui.

 

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Segunda-feira, 14.09.09

O princípo do fim...

 ... da lâmpada de incandescência, altamente ineficiente:

 

Lâmpada: este invento tem 130 anos e vai desaparecer
14.09.2009 - Ricardo Garcia, in http://ecosfera.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1400572&idCanal=2101

Thomas Alva Edison ea sua lâmpada

O invento de Thomas Edison durou 130 anos, com algumas modificações. Mas vai agora ser retirado do mercado, para salvar o planeta do aquecimento global. É a despedida de uma tecnologia de sucesso.

Trocar uma lâmpada é como piscar um olho. Nem se dá pelo gesto, de tão banal que se tornou. Agarra-se no bolbo, desenrosca-se a base e já está. Há mais de um século que se faz assim, desde que Thomas Edison popularizou a lâmpada eléctrica, no final do século XIX.
O invento de Edison, no entanto, tem os dias contados. Resistiu ao tempo, mas agora, com o mundo desesperado à procura de soluções para poupar energia, já não serve. Desde o princípio deste mês, os fabricantes já não podem pôr à venda na União Europeia as lâmpadas incandescentes mais potentes, de 100 W, segundo um regulamento comunitário aprovado no ano passado. Em 2011, desaparecem das prateleiras as de 60 W e no ano seguinte as de 40 W e 25 W.
No seu lugar, entram definitivamente as lâmpadas de baixo consumo, fluorescentes, que se enroscam e desenroscam à mesma, mas que funcionam com um princípio diferente do que o que vigorou por mais de um século. É a despedida de uma tecnologia de sucesso.

Arco voltaico
Thomas Edison ficou com a fama, mas não foi este criativo e empreendedor norte-americano, nascido em 1847, quem inventou a lâmpada eléctrica. O inglês Humphry Davy é o autor das experiências pioneiras, na primeira década de 1800, conseguindo produzir um arco luminoso entre duas hastes de carbono ligadas a baterias eléctricas.
Meio século depois, o princípio do arco voltaico foi a base da corrida à invenção de uma lâmpada que pudesse ser utilizada correntemente. O resultado mais bem sucedido foi a "vela eléctrica" de Jablochkoff, criada em 1875 e desde logo adoptada na iluminação pública. Em Portugal, seis delas abrilhantaram a celebração do aniversário de 15 anos do príncipe D. Carlos, na Cidadela de Cascais, em 28 de Setembro de 1878.
A luz eléctrica era algo completamente diferente do que antes havia - a iluminação pública a gás, ténue, poluente e perigosa. Agora, ao invés da combustão, eram outros os princípios que a produziam. "Passou-se da química para a física", afirma o professor Carlos Fiolhais, da Universidade de Coimbra.
Mas a lâmpada de arco voltaico era complexa e exigia potentes baterias para se manter acesa. Não se adequava à iluminação de pequenos espaços. Mais promissora era a lâmpada incandescente, na qual a luz emana de um filamento aquecido pela passagem da corrente eléctrica.
Muitos cientistas e inventores fizeram experiências com a lâmpada incandescente. Mas foram Thomas Edison e o físico-químico inglês Joseph Swan que chegaram, separadamente, a um modelo prático, em 1879. O principal problema era encontrar um filamento que aguentasse elevadas temperaturas por muitas horas, antes de se romper. 
Edison e Swan basearam-se primeiro em fibras de carvão obtidas a partir de algodão. Funcionou, mas não era suficiente. Incansável, Edison experimentou de tudo, até fios de barba dos seus colaboradores. Encontrou por fim uma fibra de bambu com a qual criou um filamento de carbono que se aguentava por centenas de horas.
Produzir um dispositivo eficaz foi uma das razões que fizeram o nome de Edison vingar sobre os demais. Mas havia outro, quiçá mais importante. "Edison compreendeu que precisava de ter uma sistema eléctrico", diz a investigadora Maria Paula Diogo, da Universidade Nova de Lisboa e do Centro Interuniversitário da História das Ciências e da Tecnologia, ou seja, não bastava a lâmpada, era preciso também uma fonte de electricidade e uma rede de cabos para transportá-la.
Com o dinheiro da alta finança norte-americana, o inventor pôs logo em prática a sua ideia. Construiu em Nova Iorque a primeira central eléctrica dos Estados Unidos e, a partir de 4 de Setembro de 1882, passou a levar luz a um quarteirão do centro financeiro de Manhattan. No final do ano seguinte, o sistema já tinha 508 clientes e alimentava cerca de 13 mil lâmpadas. Era o início do sucesso ascendente de uma empresa de electricidade entretanto criada por Thomas Edison e que acabaria por se transformar na gigantescca General Electric.

Tecnólogo, não cientista
A inventividade e o espírito empresarial de Thomas Edison foram determinantes para o seu sucesso. Edison nem tinha formação científica. "Era um tecnólogo, não um cientista", afirma o físico Carlos Fiolhais. Chegava aos seus inventos por "engenhoquices", através do método de tentativa e erro. "Hoje isso é quase impossível", diz Fiolhais.
Mas conseguia. Registou mais de mil patentes, de inventos criados por si e pela equipa do seu laboratório ou aperfeiçoados a partir de patentes que comprava a outros inventores.
Foi rápida a aceitação da lâmpada incandescente. Em Lisboa, as lojas da Baixa já tinham luz eléctrica em 1880 - com lâmpadas incandescentes e de arco voltaico. No Teatro S. Carlos, a iluminação a gás deu lugar às novas lâmpadas em 1886.
Mais do que um luxo, a luz eléctrica mexeu com a vida quotidiana. "Passámos a ter um tempo extra", diz Maria Paula Diogo. A noite escura e perigosa deu lugar ao que ficou conhecido como a "noite técnica".
Ao longo de 130 anos, a lâmpada em si não mudou muito, salvo alguns aperfeiçoamentos tecnológicos. O filamento de carbono foi substituído por um de tungsténio, que resiste muito mais ao calor. E, ao invés do vácuo, o interior do bolbo passou a ser preenchido com gases inertes.
Mas no formato, na essência e no princípio de funcionamento, a lâmpada que agora começa a despedir-se do mercado é a mesma que Edison trouxe à luz há mais de um século. E se surgiu para suprir a necessidade de iluminar a noite, o que está a destroná-la é um motivo de ordem completamente diferente.
A lâmpada de Edison tornou-se persona non grata por causa das alterações climáticas. A União Europeia quer reduzir em 20 por cento, até 2020, as suas emissões de gases que aquecem o planeta. Para isto, quer conter em também 20 % o aumento do consumo eléctrico.
Este novo dado derrotou a lâmpada tradicional, um dispositivo de baixíssima eficiência. De toda a energia que consome, só cinco por cento é que se transformam em luz. O resto perde-se sobretudo em calor.

Mercado ascendente
A melhor alternativa, no momento, é a lâmpada fluorescente compacta, uma invenção também antiga, mas aperfeiçoada recentemente numa versão compacta. O seu rendimento é de 25 % - cinco vezes mais do que o de uma lâmpada tradicional.
Há outras soluções, como a lâmpada de hidrogénio - que não é tão económica - ou as lâmpadas de LED, que aguardam versões comerciais acessíveis. Mas, por ora, é a compacta fluorescente - as chamadas "lâmpadas económicas" ou "de baixo consumo" - que estão a conquistar o mercado.
E rapidamente. No ano passado, venderam-se 10,7 milhões de unidades em Portugal, mais 3,1 milhões do que em 2007, segundo dados da Associação Nacional para o Registo de Equipamentos Eléctricos e Electrónicos.
As incandescentes estão a seguir no sentido contrário. Desceram brutalmente desde 2007, quando as vendas atingiam 26,6 milhões de unidades. Para o ano passado, a Direcção-Geral de Energia e Geologia só possui dados para os dez meses entre Março a Dezembro, que no entanto indicam uma queda vertiginosa: 9,6 milhões de unidades. 
A explicação para uma disparidade tão grande pode estar no facto de uma lâmpada fluorescente durar até 15 vezes mais do que uma incandescente. A cada substituição, são várias lâmpadas tradicionais que se deixam de comprar ao longo do ano.

Novos problemas
A lâmpada económica pode vir a ajudar a poupar energia, mas criou um problema que não existia no invento de Edison. No seu interior, existe uma pequena quantidade de mercúrio e as paredes internas dos seus tubos de vidro estão cobertas com pó de fósforo. Quando já não funcionam, não devem ser deitadas no lixo normal. Têm, antes, de ser recicladas, através de um processo complexo e caro.
As duas empresas que gerem a reciclagem de resíduos eléctricos e electrónicos em Portugal - a Amb3E e a ERP-Portugal - estão em campo e já recolhem cerca de 20 por cento das lâmpadas fluorescentes colocadas no mercado. A maior parte são as tubulares, que já há muito se utilizam em grandes espaços e nas cozinhas.
Têm surgido também preocupações sobre os efeitos das novas lâmpadas de baixo consumo sobre pessoas sensíveis a determinados tipos de luz. Duas grandes associações europeias de defesa do consumidor - a BEUC e a ANEC - querem que a Comissão Europeia "assegure que pessoas que necessitam de luz incandescente tenham a possibilidade de as comprar, até que haja alternativas adequadas no mercado", segundo um comunicado divulgado no final de Agosto.
Mas os benefícios da medida de Bruxelas estão-se a sobrepor aos seus potenciais problemas. Cerca de 85 % das lâmpadas instaladas nas residências europeias são ineficientes, segundo cálculos da Federação Europeia dos Produtores de Lâmpadas. Bani-las do mercado vai reduzir em 30 por cento a energia gasta na iluminação doméstica, evitando o lançamento de 23 milhões toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera por ano - pouco mais de um quarto das emissões anuais de CO2 de Portugal inteiro.
Não há escapatória para a lâmpada de Thomas Edison. Em outros países, como o Canadá e a Austrália, ela também será retirada do mercado nos próximos anos. É o cerco fatal a um invento centenário que fez da noite o dia em cada casa, mudando para sempre a vida da sociedade. Obrigado, Edison.

 

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